CONSTRANGIMENTOS E HUMILHAÇÕES DISFARÇADAS DE TÉCNICAS DE “MOTIVAÇÃO”
Os conflitos travados nas relações trabalhistas sempre existiram isto é um fato. E faz parte de toda relação humana. O problema surge no momento que estes conflitos extrapolam os princípios éticos e fogem ao controle. No ambiente de trabalho esta perda de controle chama-se assédio moral.
O assédio moral é extrapolação de um conflito, é o abuso do poder, é a forma mais vil e desumana de se tratar o semelhante.
Apesar de tudo que se vem falando na mídia, nas consultorias e nos centros acadêmicos no sentido de se combater o assédio moral, ele vem crescendo e em alguns casos se camufla atrás de “técnica de motivação”. Como foi no caso de uma agência bancária em Goiânia-GO, onde o funcionário foi obrigado pela chefia a passar o dia todo de trabalho carregando uma tartaruga na mão. Pois, ele era considerado um funcionário “lento”. E o seu encarregado imediato, defendeu-se dizendo que era uma técnica de motivação com o intuito de fazer o funcionário ficar mais “esperto”, mais “ligado”.
O assédio moral, no ambiente de trabalho, pode ser cometido pela chefia, quando esta abusa do seu poder e humilha, constrange e ameaça o subordinado. Pode ser cometido entre os colegas de um mesmo setor da empresa. Pode ser cometido partindo dos subordinados que intimidam a chefia, sendo este último mais raro de acontecer.
De qualquer forma é praticada a humilhação, o desrespeito, o que acarreta danos morais para as vítimas e danos financeiros para a empresa, sem contar que esta também fica com a sua imagem manchada no mercado que atua.
Os que são assediados desenvolvem patologias psíquicas e físicas, tais como: dores de cabeça, gastrite, enfartos, crises nervosas, falta de ar, síndrome do pânico, depressão etc. e muitas vezes leva-os a prática do suicídio. O que segundo uma pesquisa da USP/2000 é mais comum entre os homens esta prática, os números chegam aos 100%. Os danos são quase que irreversíveis e a vítima precisará de muito apoio profissional para recuperar o seu estado sadio.
Em casos de assédio moral a empresa irá pagar as indenizações que, dependendo do entendimento do juiz que julgar o caso, podem ir de um salário mínimo até quantias acima dos 10 milhões de reais. Como foi o caso de uma fábrica de bebidas na cidade de Salvador-BA, onde o gerente de vendas obrigou todos os homens da equipe que não bateu a meta a passarem meia hora vestindo saia e segurando um pênis de borracha na mão, e para a equipe que bateu a meta ofereceu de “prêmio” a secretária. O caso foi parar no Ministério do Trabalho e a empresa foi condenada a pagar a quantia de 10 milhões de reais ao grupo assediado e ainda foi obrigada a confeccionar um livreto contendo regras sobre o assédio moral e ficou estipulado que a cada quebra de uma dessas regras a empresa pagaria a quantia de 20 mil reais de multa que seria destinada ao Fundo de Amparo ao Trabalhador-FAT. E, também, neste caso, o gerente, em questão, afirmou que era uma “técnica de motivação”, uma “brincadeirinha” para motivar a sua equipe de vendas.
Defendo que a palavra contra a prática de assédio moral tem que ser: BASTA! Não podemos compactuar com tal prática dentro das organizações e em nenhum outro lugar. O assédio moral é um crime e como tal deve ser tratado.
Devemos cultivar os princípios éticos nas relações sociais que desenvolvemos no nosso cotidiano, uma lição que aprendi com os meus pais, que aprenderam com os pais deles e assim por diante: “Trata os outros como gostaria de ser tratado”. E outra lição que aprendemos há mais de dois mil anos atrás e que devemos praticá-la já: “Ama ao próximo como a ti mesmo”. Simples, assim.
Desenvolvido por:Maria Betânia Amaral Rodrigues de Almeida Virães.
Graduada em Sociologia, Pós-graduada em Planejamento Estratégico e Adm. de Recursos Humanos; Dinâmica de Grupo e Consultoria Organizacional; Formação de Educadores e Gestão Educacional, Mestranda de Ciências das Educação e Professora do Instituto Brasileiro de Gestão & Marketing-IBGM.

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